O nascimento de uma grande empresa


A bovino cultura de corte predominava, mas a existência de mercado para o leite, seja para a manutenção do varejo urbano, seja para a venda de creme para as duas fábricas de manteiga da época, fez com que a pecuária leiteira sempre estivesse presente na vida da região. Mas devido a existência de praticamente dois compradores, os abusos e a opressão era uma realidade vivida pelos produtores. Haviam ocasiões em que o preço era ditado segundo a vontade dos laticínios, e os produtores eram obrigados a aceitar devido a falta de alternativas de venda.

Era preciso encontrar uma forma de vencer o problema. Para isto se constituiu uma comissão provisória, presidida pelo Dr. Clóvis Soares Maia e integrada por Nestor Vilela Lemos e Dr. Juventino Cardoso Lemos, onde o Dr. José Junqueira foi encarregado de apresentar um estudo preliminar sobre a questão. Para a qual foi sugerida a criação de uma cooperativa por quotas, de acordo com a produção de cada associado.

Fundada a cooperativa no dia 06 de fevereiro de 1949 , poucos dias após a assinatura da Ata pelos 53 primeiros, mais 14 produtores se juntaram em iniciativa, elegendo a 1ª diretoria em 27 de fevereiro: Presidente, Pedro Silva Lemos; Diretor Gerente, Otacílio Lemos e Diretor Secretário, Nestor Vilela.

A responsabilidade era grande: Estes diretores precisavam montar uma fábrica capaz de captar a produção leiteira da região e industrializá-la, em condições de igualdade com a concorrência existente na época. O dinheiro era pouco, e tinham de ser criativos para resolver o problema da construção da usina. Para isso compraram a chácara do Neca Batista, separaram a parte a ser utilizada pela cooperativa e lotearam o restante. Esta foi a forma encontrada para resolver o problema de dinheiro.

Fácil? Nem pensar. O produtor daquela época (assim como hoje), era desconfiado quanto a história de "juntar capital" que Pedro Silva vinha pregando. Mas ele foi suficientemente convincente, pois no dia 5 de maio de 1951, encostava o 1º caminhão de leite na plataforma da Cooperativa de Laticínios do Sudoeste. Foram aproximadamente 5 mil litros usados na fabricação de queijo: o Radar. Marca retirada do aparelho de guerra de maior sucesso da época (é bem lembrar que eles estavam vivendo o final da 2ª Guerra Mundial). Marca mantida até o ano de 2002, e hoje adaptada em produtos Casmil.

O benefício gerado pela cooperativa surgiu imediatamente, os produtores passaram a se posicionar melhor no mercado, foram criados as primeiras 5 linhas de leite - Toledos, São Bento, Julieria, Bananal e Mumbuca- saíram da posição de oprimidos pelas antigas compradoras do creme para uma situação mais favorável: concorrente dessas empresas.

Como uma criança a Casmil nasceu, cresceu e enfrentou vários problemas que são inerentes à vida das pessoas e dos negócios. E várias características de 1949 se repetem hoje. Naquela época a cooperativa foi criada para resolver o problema de mercado e preço existente na região e hoje o fato se repete com todos os associados demandando a mesma coisa da Casmil, melhor preço pelo leite o que é uma luta de âmbito nacional.

Ela deu grandes passos, se tornando uma das maiores cooperativas do país; conseguindo implantar uma política de qualidade no sistema de produção de sua área de abrangência.

Hoje somamos mais de 2.000 cooperados e 1.200 fornecedores que captam o número recorde de mais de 300.000 litros de leite diários.

A Casmil conta com uma ampla linha de produtos, dentre leite queijos e bebidas lácteas. Em Passos somos a quarta maior empresa em número de postos de trabalho e nossa marca é sinônimo de qualidade e força.

Estes fatos dão sinal do que se tornou a cooperativa: Uma empresa voltada para o seu associado e que hoje não é uma criança, mas uma empresa adulta e sólida e cada vez mais moderna; se transformando em algo que talvez seus fundadores jamais tenham imaginado, superando os seus sonhos.

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